Dedicatória

Dedico este blog a todas as palavras a serem sentidas, a todos os sentidos a serem floridos, a todos os sorrisos e risos. Às pessoas prontas para sorrir e às maduras o suficiente pra chorar. Dedico a quem sabe amar e gargalhar... a quem pode se orgulhar! Dedico também à espontaneidade, que é mãe da boa poesia e da filosofia. e já que falamos da mãe, falemos também do pai, que é o sentimento que semeia a espontaneidade para gerar sublime deusa, poesia. Dedico à poesia, a poesia. Ao amor, mil utopias. Dedico este blog a quem me faz sofrer, já que o sofrimento é irmão do sentimento, que é pai da poesia. dedico também, e principalmente, aos amigos de verdade, àqueles que — nem eu nem eles — não têm falsidade.

domingo, 24 de março de 2013

Cicatrizes na Lua

Anseia o homem viver
sem cicatrizes no peito
E segue a vida sem perceber
que até a Lua possui as marcas do Tempo.

Com fundo

Não vim pra esse mundo para esclarecer.
Se fosse para ser assim, teria eu vindo profeta.
Não, não, não. Eu não. Deus, me fez poeta.
E poeta que se preza, Presta sua vida a confundir.

Portanto, cumpro minha sina e confundo.
E como qualquer outro vaso com fundo,
Uma vez repleto de minhas implenitudes,
transbordo-as para a minha volta.

Mas de tanta implenitude profusa,
que se espalha por ai,
acaba o poeta por servir de maneira confusa
ao esclarecimento do mundo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Chronnos (English Version)

From the original portuguese poetry, Chronnos

Oh, Time, Time,

Who could bend your pointers?
Who could deprive you of domain?
It remains to us mortals Patience, Virtue beautiful.

Unwavering partner of death,
Without which it would lose its influence on the Human Mind,
Ye thou steadfast and constant in its mission to remember that
Sooner or later, ineffably, even stars turn to dust.

Oh, Time, Time,
Turn your pointers, turning day into night
Run your sands, making summers into winters
Move your shadows, turning years in millennia.

And unchanging, constant and impeccable
Continues eternal and youthful Time,
Leading seeds and civilizations
From Dust to Fullness, and back to dust.

Fogo-fátuo

Ardeu, tal qual fogo-fátuo,
minha paixão por ti.
Numa combustão acidental
Que aos que rondavam, fez alardarem-se.

Como que sem combustível — visível,
queimava etéreo o fogo-fátuo em meu coração
Fato é que não seria mais que fátuo,
Néscio, sem coerência, embora dotado, sim, de consequência.

Queimou — aéreo — e fez fumaça,
e fez alarde em meu coração e no de outrem
Mas não foi mais que faísca no seu.
E a brasa em seu peito, que fátua, sequer existiu,

Deixou-se tomar pelas cinzas da razão,
e o lume que por umas noites se viu,
Tal fogo-fátuo, que por sobre a lápide queima
No mesmo cemitério em que brotou, conforme seu fado, sumiu.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Poesia

O meu berço foi uma escultura,
Minha mamadeira, tinha cultura.
Minha canção de ninar foi Pessoa,
Minha bola de jogar foi tinta pra espalhar.

Meu teatro de sombras foi platão,
Meu coelho da cartola, veio de um país de maravilhas
Minha fada-do-dente foi Elis Regina,
E minha piscina de bolinhas teve 20 mil léguas submarinas.

Neruda foi quem me ensinou os altos e baixos da paixão,
Chico Buarque quem me ensinou o bom português
Vinícius e Tom me ensinaram a ser homem
Sem jamais esquecer de ser cortês.

E se meu berço foi escultura,
Meu ninho de amor, e minha mais pura alegria
É a profunda, inefável e eternamente mística,
Poesia.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Quadro

Vi um quadro na parede
e deti-me a observá-lo.
Nele estava pintada minha história
com lirismo tal que só os olhos de um poeta decifram.

Em espirais ininterruptas,
brotavam profusos momentos de êxtase
Assim como depressões abruptas
Ambos tão constantes quanto necessários.

E em tal inconstância de sentimentos,
vi um traço firme e equilibrado,
Que do centro da espiral partia,
e acompanhava todo o quadro.

Este claro traço iluminado,
dividia êxtases e depressões
servindo de centro estável
Para o pêndulo das emoções.

E seguindo com os olhos seu curso estreito,
Conclui como correto este caminho a seguir
Sendo sujeito, como todos, a alegrias e tristezas,
Porém pouco a pouco vencendo tudo que me cativa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Chronnos

Ah, Tempo, Tempo,
Quem poderá dobrar-te os ponteiros?
Quem poderá privar-te do domínio?
Resta a nós mortais a Paciência, bela Virtude.

Parceiro inabalável da morte,
Sem a qual perderia sua influência sobre a Mente Humana,
Sois tu inabalável e constante em sua missão de lembrar que,
Cedo ou tarde, inefavelmente, até as estrelas se transformam em Poeira.

Ah, Tempo, Tempo,
giram teus ponteiros, transformando dias em noites,
Correm tuas areias, transformando verões em invernos,
Movem-se tuas sombras, transformando anos em milênios.

E imutável, constante e impecável,
Continua eterno e jovial o Tempo,
A conduzir sementes e civilizações
Do Pó à Plenitude, e de volta ao Pó.