Dedicatória

Dedico este blog a todas as palavras a serem sentidas, a todos os sentidos a serem floridos, a todos os sorrisos e risos. Às pessoas prontas para sorrir e às maduras o suficiente pra chorar. Dedico a quem sabe amar e gargalhar... a quem pode se orgulhar! Dedico também à espontaneidade, que é mãe da boa poesia e da filosofia. e já que falamos da mãe, falemos também do pai, que é o sentimento que semeia a espontaneidade para gerar sublime deusa, poesia. Dedico à poesia, a poesia. Ao amor, mil utopias. Dedico este blog a quem me faz sofrer, já que o sofrimento é irmão do sentimento, que é pai da poesia. dedico também, e principalmente, aos amigos de verdade, àqueles que — nem eu nem eles — não têm falsidade.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O retorno

Certo dia, num passado distante,
Na primeira metade de um século já passado,
preocupei-me quem leria meus escritos.

E hoje, que professo um futuro incerto,
releio meus escritos do passado extasiado.
E passo para a frente, dizendo adeus mais uma vez:

"Nos vemos na próxima vida."

Minha cela

Estou preso, há anos. Estou preso numa cela do tamanho do mundo. Esta cela é a mais apertada que meu coração já viu, e pressiona minha inspiração, e combate minha criatividade. Nela, existem seis bilhões de guardas, a cuidar cada um de meus movimentos: alguns de elite, que vociferam e ameaçam ao menor deslize; outros, soldados e cabos, que fazem o trabalho sujo da guerra: soprar incertezas nos corações dos outros guardas.

Estou preso, há anos. Numa cela em que não há cor, não há amor. mas tenho em minha mão um pincel. E nesta cela, que é do tamanho do mundo — e cinza —, haverei de encontrar a cor e o sabor, e assim me libertar.

Para isso no entando, preciso primeiro me encontrar: isso porque ouvi dizer, num burburinho entre os guardas menos ranzinzas, que há um pote no final de um caminho colorido, a que eles parecem dar o nome arco-íris. Este pote, dizem eles, tem as maiores riquezas, e como não conheço riqueza maior do que a cor, Estou certo que este é um pote de tinta.

Minha única visita nesta cela é um homem idoso, cabelos e barbas brancas, tão alvas quanto suas vestes brilhantes. Este homem é maior que minha cela, e também é maior que toda a prisão: ele me olha pela janela de meu cárcere. Ele me disse que foi ele que me prendeu aqui, e que por mais que eu sofra, um dia irei agradecer.

Se irei agradecer ou não, eu não sei, mas eu gosto desse homem, ele parece sincero, diferente dos guardas. E ele me disse também que existe um caminho colorido, que eu devo trilhar. Perguntei se o nome era arco-íris, e ele disse que o nome era qualquer um: alguns chamam cristianismo, outros xamanismo, magia ou esoterismo, umbanda e espiritismo, budismo e outros ismos, mas esse caminho é um só: e leva a um só lugar: o pote de tinta.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sou filho do vento

Sou filho do vento.
Fui criado ao relento,
vagando por aí.

Sou filho do vento.
Nasci e cresci, amadureci
e continuei a mudar.

Pois o vento muda,
o vento se leva.
Ele gira e sobe,
e transmuta, o vento transmuta.

Sou filho do vento,
criado no momento
em que o momento mudou.

sou a mudança da forma
e a forma de mudança,
eu sou a dança, eu sou a dança.

Eu danço e me mexo,
eu brinco pois vejo
que seriedade não há motivo.

Eu sou o motivo do mundo mudar,
eu sou o futuro no vento a soprar
Sou filho do vento, sou filho do vento.

Conquistas, derrotas

Certas derrotas são para sempre,
como a batalha que põe fim à liberdade.
Certas derrotas são temporárias,
como a vitória do time adversário.

Certas conquistas são para sempre,
como uma amada que se ponha a sonhar.
Certas conquistas são temporárias,
como a amada que já não quer mais voltar.

Toda derrota serve para ensinar
com os erros e sofrimentos,
Toda conquista, para educar,
sobre desapegos e arrependimentos.

Nem toda derrota é amarga,
Nem toda conquista é doce.
algumas são insossas e outras agridoces.
Mas se algo é certo, é que todas nos mostram
o caminho correto a trilhar.

domingo, 6 de abril de 2008

Meu sangue

Eu sangrei por ti, meu sangue impuro
E derramaste o teu sangue bendito em minhas veias,
Para me recompensar, Para me recompensar.

Eu chorei por ti um choro intenso
e acalmaste meu coração,
com teu alento de vida.

Eu lutei por ti, inúmeras batalhas,
e me privaste de sofrimento,
quando eu pereci. Eu pereci

Eu beijei teus pés, por vontade própria
e ergueste meu rosto, a altura de tua face
para me mostrar o meu brilho.

Eu brilhei como um espelho, em teu nome
e refleti os teus desejos, e refleti sobre teus atos
sentindo tua alma.

Eu conclui, de minha reflexão,
que meu sangue ainda é demasiado impuro,
e que mais dele derramarei sobre este solo.

sábado, 15 de março de 2008

Chamada da Vontade

Thelema é nossa origem
Nos altos campos do Senhor
Caminhai rumo ao espírito
Cultivando seu amor

Na trilha secreta que esconde as palavras
palavras sublimes, sempre tão sensatas
É a trilha da floresta, das plantas do poder
Que nos mostra os segredos e traz nosso saber

Feche os olhos, contemple o teu interior
Visita os teus castelos e as tuas cavernas
Passeia em teus jardins e bebe da tua água
Encontra o teu centro puro e dourado
Teu ser divino, eternamente cultivado

Visita as tuas esferas, Visita as tuas esferas
Com as sete cores do arco-íris
Decide o teu destino, junto aos 42 juízes
Abra os olhos, agora meu irmão
E contemple a natureza, a criação

Levanta da tua posição
e luta pelo amor de todas as esferas
Combate e destrói todas as tuas feras
O demônio é interior, o demônio é interior

Mas quando é derrotado, são abertos os portais
E tu te encontrarás com o Eu Superior
Serás então o filho escolhido
E guiará os teus irmãos nos caminhos do amor.

terça-feira, 4 de março de 2008

Todo santo dia

Todo dia é santo, todo dia é bendito,
cada dia do seu jeito, A cada jeito um novo dia.
Todo dia é santo, todo dia é bendito,
cada dia é perfeito, de um jeito imperfeito.

Todo dia é santo, todo dia é puro,
A cada novo dia, meu amor é selado.
Todo dia é santo, todo dia é puro,
A cada abraço, um amor sacramentado.

Todo dia é santo, todo dia é sagrado
Todo dia é puro, perfeito, bendito e abençoado
Valha-se a lembrar disso,
Todo Santo Dia, Todo Santo Dia.