Dedicatória
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Eus
um pouco de cada pessoa.
Partes de Ricardos,
Álvaros e Albertos.
Alguns poetas perfeccionistas,
alguns péssimos desenhistas,
mas sempre sempre,
são eus dentro de mim.
E, de quando em quando,
me ponho a questionar:
Qual eu sou eu?
Onde está o Mikhael?
Raros momentos
encontro ambos juntos,
Porém, inda que ralos
são eternos e mui profundos
Desses encontros
comigo mesmo
retiro o néctar da vida...
A flor amada e vivida.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Ram-Io
de cada momento
ao teu lado
O desejo saciado
e, ainda assim,
Desejado
O fogo da vida
e a vida do fogo
Enjaulado
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Pessoas
Em uma ou outra poesia
Mas não copio a Fernando,
Isso seria ironia
Somos, ambos, apenas tradutores
De uma mesma — Grande e Eterna — autoria.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Abraços
Que juntam a gente
Laços que guardam alegria
Abraços são mudos
Mas guardam um mundo
De palavras e sorrisos
Duram poucos segundos
Mas resolvem por horas a tristeza
Melhor que valium 10
Abraços sorridos, abraços sentidos
Abraço de amante e abraço de amigo
Todos conduzem a Deus
Até os abraços de adeus...
Amigos reforçam abraços
Ambos, são feitos dos mesmos traços
Amor e carinho, amor e carinho...
domingo, 17 de dezembro de 2006
O exército não para de crescer
Mas as grandes batalhas não podem ser travadas sozinhas. os feitos históricos não são dos generais, mas de seu exército, que, de armas na mão, batalhou bravamente por uma causa que nem sequer conheciam direito.
Ontem, uma batalha foi travada, e centenas de pessoas foram afetadas por esta batalha. Ontem foi um marco, um divisor de rios. E 7 pessoas alistaram-se no exército do amor. Não como os soldados acima citados, mas como bravos guerreiros lakota, que sabem pelo que lutam.
- Matheus;
- Josemar;
- Juba;
- Andressa;
- Karin;
- André Átila;
- Marcela
Ontem, por ter tais amigos, me senti coroado.
Soam poucos aos olhos de quem não viu a batalha épica que foi travada. não portávamos arma alguma além de nossos braços — para dar abraços — fortes e ditosos. Mas a batalha foi vencida. A guerra ficou um passo mais próxima de seu fim, e a vitória é da Paz. do Amor e da Amizade. Estas palavras aqui vêm em letra maíuscula, pois não são substantivos comuns, são próprios. São sensações únicas e destoadas de todas as outras (ainda que sendo todas as outras.)
Ontem ganhamos centenas de abraços, e demos outras centenas. ontem choramos com o velhinho emocionado, e pulamos com os jovens animados. Ontem ganhamos mais forças para esta batalha. E mais colos, para deitarmos nossas cabeças nas horas de descanço.
Obrigado aos 7 bravos guerreiros pelas lágrimas que me fizeram derramar!
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Desejos
Isso de desejo é algo muito irônico... Principalmente quando estão à flor da pele e não desabrocham. É o pior sentimento que pode existir. A morte certa e iminente não dói tanto ao condenado nos últimos 15 minutos de vida quanto desejos que não se cumprem. É uma dor cega, que não sabe onde doer, então dói em todo lugar. Um calafrio obscuro, que por não poder se cumprir, ganha asas pra matar.
Ninguém sabe do que é capaz um rejeitado. Nem mesmo ele! "Coitado... Perdeu mais uma chance de dar amor, de oferecer afago e carinho... E por quê? Por não temer o amor?" ressoam todos mais uma vez, ao comentar dele... Nos corredores, nas esquinas e até naquele bar famoso que esqueci o nome. Em todos os lugares falam dele, mas nem lembram o seu nome, o chamam coitado. Algumas meninas que tentam consolar dizem: "ela não soube dar valor, ela não sabe o que perdeu...” ou “saiba que quem perdeu foi ela e não você!” e até, pasmem: “se fosse eu nós estaríamos juntos há muito tempo!".
Coitado — como o chamarei daqui pra frente — sabe que é verdade e não nega. Mas o coração, amarrado feito prisioneiro de masmorra, se contorce e grita não. Coitado sorri forte, ergue a cabeça e diz: "quem perdeu foi ela!" Se despede dos amigos, vira a esquina, mergulha na sarjeta e chora, compulsivamente. Essa cena se repete de tempos em tempos, e ele agradece a Deus por seus amigos não a verem... Coitado... Mal sabe ele que seus amigos assistem a tudo, à distância, e que alguns deles até riem. Para esses, mal ele fala de uma nova garota que — essa sim — fará ele feliz, começa a diversão.
Parece brutal. Amigos assim? Mas se você pensar no que fez a garota, as amizades de Coitado são as melhores do mundo. Você diz: “mas elas têm direito à livre escolha!” E eu concordo plenamente. Mas elas não têm o direito de fazer sofrer uma outra vida, como fazem. Você não está entendendo por não conhecer a rotina! Vou explicar...
Primeiro elas conhecem o Coitado, e este, sem ser convidado, se apaixona abruptamente. Até aqui, é ele o culpado, elas são inocentes e puras, e até Coitado admite. O problema começa justamente agora! Coitado, começa sua ofensiva — convenhamos, nada efetiva — para cima da moça. Algumas pulam fora, e a elas esse texto nada critica. Outras esperam para ver no que vai dar, e Coitado, coitado, já acha que vai casar! É quando vem chegando a dor: Coitado faz questão de tratá-las como vasos da dinastia Ming (ou alguma coisa mais rara e cara que isso...).
Ele começa a sofrer. A culpa, não podemos negar, é 80% dele, mas ao menos os outros 20% poderiam ser poupados e não são. A mulher amada começa a se sentir desejada, e isso a faz sentir bem, esquecendo que quem deseja também sente. No caso, mal. Depois de um tempo de flerte, um belo dia Coitado liga pra garota, gagueja, seca o suor da testa e diz: “é... hmm... oi [o nome da garota foi retirado, em respeito a Coitado]... tudo... bom?” ao que ouve uma voz sempre disposta a receber elogios: “ooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”. Coitado corta os elogios — está muito nervoso para falar mais que o essencial — e desembucha tudo de uma vez sem respirar. A garota — que acabou de acordar — diz: “putz, Coi (apelido carinhoso, o parêntesis é nosso), hoje não vai dar, eu to cheia de coisas pra fazer!” Ele acha que talvez seja verdade e até pensa que se for, ganhou uns pontos com ela por tê-la acordado a tempo de cumprir suas obrigações. Algumas enroladas depois ele desiste de convidá-la para um chopp, e para qualquer outra coisa.
Recomeça, então, tudo que acima se narrou. Ele, com a cara mais envergonhada do mundo, se vê obrigado a contar a experiência aos amigos, para desabafar. Mas sabe que desabafar com eles não adianta. Que só vai ser pior, pois depois vai se jogar na sarjeta e chorar. E mais uma vez, Coitado — sujo e sem nem mesmo o carinho do cão sarnento — balbucia entre soluços seu mote favorito: “nada de novo, tudo de novo.”
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Teu brilho
às estrelas...
E a Paz!
Ambos netos
de um mesmo avô,
O sol.
tranmite a mim,
Calor lancinante
Que superaquece.
Derrete meu Chumbo.
E seu amor,
O transmuta Ouro.