Dedicatória

Dedico este blog a todas as palavras a serem sentidas, a todos os sentidos a serem floridos, a todos os sorrisos e risos. Às pessoas prontas para sorrir e às maduras o suficiente pra chorar. Dedico a quem sabe amar e gargalhar... a quem pode se orgulhar! Dedico também à espontaneidade, que é mãe da boa poesia e da filosofia. e já que falamos da mãe, falemos também do pai, que é o sentimento que semeia a espontaneidade para gerar sublime deusa, poesia. Dedico à poesia, a poesia. Ao amor, mil utopias. Dedico este blog a quem me faz sofrer, já que o sofrimento é irmão do sentimento, que é pai da poesia. dedico também, e principalmente, aos amigos de verdade, àqueles que — nem eu nem eles — não têm falsidade.

sábado, 23 de abril de 2011

Procura

Eu te procurei em cada canto
Em cada estante, em cada copo
Eu te procurei a cada instante
em cada seio, em cada olhar

Eu te procurei em cada estrofe,
Em cada linha, em cada poesia.
Eu te procurei em Pessoa,
Em Picasso, em Sofia.

Mas quando te encontrei, Felicidade,
Vi que estava no único instante
Ao qual me faltou olhar
O Presente.

Poema da Curva

Na história deste blog, poucos são os poemas que não são meus. Alguns de Pessoa, meu mestre nas artes escritas e da vida, outros de amigos, que honradamente citei entre meus raros versos bons.

Hoje, homenageio um revolucionador. Um nome que foi escrito com concreto na história do mundo. Com vocês, Oscar Niemeyer.

O Poema da Curva

"Não é o ângulo reto que me atrai,
Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
O universo curvo de Einstein."

Oscar Niemeyer

domingo, 13 de março de 2011

Desejos

Por que desejar o poder,
Se já posso?
Por que desejar bens,
Se sou Bom?

Por que desejar ser amado,
Se já amo?
Por que desejar saber,
Se já Sou?

Como posso eu me melhorar,
Se Deus me fez à sua imagem e semelhança?
Como posso procurar a Felicidade,
Quando sou a própria encarnação da Felicidade?

Como posso desejar conhecer outros lugares,
Se tudo é um, e tudo ao mesmo tempo está dentro e fora de mim?
Como posso amar uns, e detestar outros,
Se no fim... Se no fim...

Mitakue Oyasin

Amigo da Vida

***O texto a seguir é uma releitura da poesia Viver, também de minha autoria***

***Dedicado a Lucas Avelar, por sua grande amizade com a Vida, que muito me tem ensinado***

Eu fiquei mesmo amigo da Vida, e ela não me desapontou. Como prometido, me colocou para ver seu espetáculo de camarote. E de cima, afastado, pude compreender melhor as nuances da peça.

Observando as nuances, enxerguei as falhas dos atores e, como bom ser humano, me ressenti por uma atuação imperfeita, que afetava diretamente o meu espetáculo, o enredo que eu escrevi. Entretanto sou um homem de sorte, sou amigo da Vida.

E quando a Vida nos reconhece como AMIGO MESMO, Ela dá conselhos a seu próprio respeito, como uma narrativa do show. Ao perceber meu sincero ressentimento, a Vida parou minha peça por um momento, exibindo então cenas de minha própria atuação, nos espetáculos em que fui coadjuvante.

Reconheci, então, minhas próprias falhas e improvisos no enredo de outros autores, e assim a Vida me ensinou uma grande lição sobre os erros dos outros: a ACEITAÇÃO. Mas tendo a Vida percebido que já havia aprendido bem a lição, ensinou-me ainda uma lição que está acima da aceitação: o PERDÃO. Ao PERDOAR, compreendi a divindade da falha.

Então tornei-me profundamente grto aos outros atores por sua atuação impecável e chorei, emocionado pela PERFEIÇÃO da VIDA. Agora, ainda mais atento ao espetáculo, busco tornar-me cada vez mais impassível aos erros e acertos de meus companheiros de palco – algo me diz que assim, o final poderá ser mais feliz. Enquanto o teatro não chega ao fim, no entanto, tenho a certeza de viver o momento atual com leveza... Feliz.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Folha em branco

Meu coração é uma folha em branco,
ao lado de um pincel nunca usado
que não quer se sujar.

Ora, e como não compreender o pincel?
Se sujar é algo trabalhoso, e por mais que se limpe,
o pincel nunca mais será como é hoje, novo.

Então ficam ali, o pincel e o papel a se fitar…
ambos limpos, intocados, como vieram ao mundo.
O pincel sabe que pode dar cor ao papel, e assim, satisfazê-lo.
Mas não o faz.

O papel a ponderar se um dia poderá cumprir sua missão,
receber a cor do pincel. E a se punir por desejar ser colorido,
Por desejar ver o pincel se lambuzar de tinta à óleo.

Se o pincel soubesse que seu trabalho representa a beleza do mundo,
Talvez visse, na sujeira de suas cerdas,
o que um trabalhador vê em suas mãos calejadas:
A Honra e a Felicidade de ter servido ao Propósito.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não e não

Não…
Não, não e não, Você me diz.
Mas o que ouço, não é negação.

Ouço, enfim, seus nãos que viraram sim
E me coloco a considerar
O tempo necessário para mais esta negação
transformar-se em sublime aceitação.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Caminho do Meio

Fui buscar, no Oriente,
As quatro sonhadas respostas,
Mas ao chegar ao Oriente
Sem encontrar o que buscava,
Segui para o oriente de lá.

Parei, furioso, ao encontrar
Não uma resposta, mas o toco
Onde me sentava ao iniciar minha peregrinação

Sentei-me, para descansar,
Sobre o culpado do meu insucesso,
– o toco –
Ao esbravejar com ele sem obter resposta,
Calei-me,
E descobri que só ouviria respostas,
Calado.

Então, pude ser Eterno,
Sendo mortal.
Pude ser Divino,
Sendo carnal.

Pude unificar-me,
Sendo individual.
Pude ser o Todo,
Ao ser a parte que me cabe.

Pude ver o meio do caminho,
E voltar para o meu Oriente,
Seguindo o Caminho do Meio.