Dedicatória

Dedico este blog a todas as palavras a serem sentidas, a todos os sentidos a serem floridos, a todos os sorrisos e risos. Às pessoas prontas para sorrir e às maduras o suficiente pra chorar. Dedico a quem sabe amar e gargalhar... a quem pode se orgulhar! Dedico também à espontaneidade, que é mãe da boa poesia e da filosofia. e já que falamos da mãe, falemos também do pai, que é o sentimento que semeia a espontaneidade para gerar sublime deusa, poesia. Dedico à poesia, a poesia. Ao amor, mil utopias. Dedico este blog a quem me faz sofrer, já que o sofrimento é irmão do sentimento, que é pai da poesia. dedico também, e principalmente, aos amigos de verdade, àqueles que — nem eu nem eles — não têm falsidade.

domingo, 1 de maio de 2011

Preciso Fugir

Eu preciso fugir,
escapar dos meus sentidos
Entregar os pontos dos meus ouvidos,
Do paladar, do tato, do olfato
e cegar minha visão.

Eu preciso fugir
para uma imersão de vazio
onde eu não sinta seu cheiro, não veja seus olhos
e nem sua voz eu possa ouvir.

Eu preciso fugir,
escapar dos meus sentidos
para penetrar no mais fundo de mim,
E lá dentro, finalmente Te Sentir.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lua Sentimental

A rua está sempre cheia,
Mas a Lua, tem se sentido vazia
Devido à falta de atenção dos transeuntes
Que chega dia, passa dia,
Ignoram insolentes o seu brilho noturno.

domingo, 24 de abril de 2011

Morre Sai Baba

"Algumas pessoas fazem a objeção de que Karma Yoga (a disciplina espiritual da ação) envolve muita tensão. Eles dizem, “Eu procurei só fazer o bem a eles, mas eles ignoraram meu desejo e tentaram me injuriar”. Tal desapontamento faz a pessoa perder o interesse na atividade. Alguém quer fazer o bem esperando obter contentamento disso e distribuí-lo. Quando tal contentamento não surge, o desapontamento aparece. Mas a lição que o Karma Yoga ensina é pratique o Karma como Karma por causa do Karma. Por que o Karma Yogi preenche suas as mãos com trabalho? Essa é sua verdadeira natureza. Ele sente que é feliz enquanto executa o trabalho. Isso é tudo. Ele não barganha para obter resultados. Ele não é motivado por qualquer cálculo. Ele dá, mas nunca recebe. Ele não conhece sofrimento, nem decepção, pois não esperava qualquer benefício."

Sathya Sai Baba

Morreu, na manhã deste domingo, Sathya Sai Baba, o mais famoso guru indiano dos últimos tempos. Ironicamente, este Homem de Milagres libertou-se de suas amarras terrenas justamente no dia em que se comemora a ressurreição de Cristo. Mas... Homem de Milagres? Eu não sou e nunca fui um adepto do movimento Sai Baba, mas sim um grande admirador de seu exemplar trabalho.

Homem de Milagres, sim, por suas obras e testificações do Amor Divino. O verdadeiro milagre está em transformar o mundo com seu exemplo. Se Sai Baba realmente era capaz de materializar itens, como acreditam seus adeptos, não ponho em questão, pois não são estes os milagres que realmente atesto em sua vida.

Atesto como milagre a transformação que Sathya Sai realizou na Índia, com Obras multibilionárias (como a criação de todo o sistema de saneamento básico do gigatesco país, que custou US$ 14 bilhões). Suas palavras de Amor e Liberdade foram capazes de transformar a vida de seus 6 milhões de seguidores ao redor do mundo, mas as vidas realmente transformadas foram as dos alunos dos Centros de Educação Sai Baba, que englobam desde creches até universidades, e vêm transformando há décadas a educação na Índia.

Hoje, programadores indianos fazem parte dos maiores projetos de software ao redor do mundo, seus cientistas estão liderando algumas das principais pesquisas em áreas médica, física e química, e a grande maioria da população indiana fala inglês fluentemente, tudo graças aos Centros de Educação Sai Baba.

Por isso, e por coisas que só eu posso sentir,
Obrigado, Sai Baba.

sábado, 23 de abril de 2011

Procura

Eu te procurei em cada canto
Em cada estante, em cada copo
Eu te procurei a cada instante
em cada seio, em cada olhar

Eu te procurei em cada estrofe,
Em cada linha, em cada poesia.
Eu te procurei em Pessoa,
Em Picasso, em Sofia.

Mas quando te encontrei, Felicidade,
Vi que estava no único instante
Ao qual me faltou olhar
O Presente.

Poema da Curva

Na história deste blog, poucos são os poemas que não são meus. Alguns de Pessoa, meu mestre nas artes escritas e da vida, outros de amigos, que honradamente citei entre meus raros versos bons.

Hoje, homenageio um revolucionador. Um nome que foi escrito com concreto na história do mundo. Com vocês, Oscar Niemeyer.

O Poema da Curva

"Não é o ângulo reto que me atrai,
Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
O universo curvo de Einstein."

Oscar Niemeyer

domingo, 13 de março de 2011

Desejos

Por que desejar o poder,
Se já posso?
Por que desejar bens,
Se sou Bom?

Por que desejar ser amado,
Se já amo?
Por que desejar saber,
Se já Sou?

Como posso eu me melhorar,
Se Deus me fez à sua imagem e semelhança?
Como posso procurar a Felicidade,
Quando sou a própria encarnação da Felicidade?

Como posso desejar conhecer outros lugares,
Se tudo é um, e tudo ao mesmo tempo está dentro e fora de mim?
Como posso amar uns, e detestar outros,
Se no fim... Se no fim...

Mitakue Oyasin

Amigo da Vida

***O texto a seguir é uma releitura da poesia Viver, também de minha autoria***

***Dedicado a Lucas Avelar, por sua grande amizade com a Vida, que muito me tem ensinado***

Eu fiquei mesmo amigo da Vida, e ela não me desapontou. Como prometido, me colocou para ver seu espetáculo de camarote. E de cima, afastado, pude compreender melhor as nuances da peça.

Observando as nuances, enxerguei as falhas dos atores e, como bom ser humano, me ressenti por uma atuação imperfeita, que afetava diretamente o meu espetáculo, o enredo que eu escrevi. Entretanto sou um homem de sorte, sou amigo da Vida.

E quando a Vida nos reconhece como AMIGO MESMO, Ela dá conselhos a seu próprio respeito, como uma narrativa do show. Ao perceber meu sincero ressentimento, a Vida parou minha peça por um momento, exibindo então cenas de minha própria atuação, nos espetáculos em que fui coadjuvante.

Reconheci, então, minhas próprias falhas e improvisos no enredo de outros autores, e assim a Vida me ensinou uma grande lição sobre os erros dos outros: a ACEITAÇÃO. Mas tendo a Vida percebido que já havia aprendido bem a lição, ensinou-me ainda uma lição que está acima da aceitação: o PERDÃO. Ao PERDOAR, compreendi a divindade da falha.

Então tornei-me profundamente grto aos outros atores por sua atuação impecável e chorei, emocionado pela PERFEIÇÃO da VIDA. Agora, ainda mais atento ao espetáculo, busco tornar-me cada vez mais impassível aos erros e acertos de meus companheiros de palco – algo me diz que assim, o final poderá ser mais feliz. Enquanto o teatro não chega ao fim, no entanto, tenho a certeza de viver o momento atual com leveza... Feliz.