A flecha lançou-se do arco
e abriu o vento
como a um zíper universal.
Em sua fenda,
perdeu-se o tempo, perdeu-se o medo;
E um só ponto reinou soberano:
o centro do alvo, perfurado lentamente.
Objetivo concretizado.
A flecha lançou-se do arco
e abriu o vento
como a um zíper universal.
Em sua fenda,
perdeu-se o tempo, perdeu-se o medo;
E um só ponto reinou soberano:
o centro do alvo, perfurado lentamente.
Objetivo concretizado.
Quando em vez, ao ler os mestres da poesia,
sinto uma inveja poética, ou talvez uma admiração egoísta,
Não sei que nome dar, pois é como o amor,
Não se pode expressar…
É uma sensação de sentir tão fundo e forte
tudo que eu sinto que o poeta sentiu,
que é quase como se fosse ele sentindo em mim,
Ou eu sentindo nele, não posso expressar…
Talvez seja puro egoísmo, sim,
querer tudo que foi escrito para mim,
quando já devia sentir-me honrado
por poder ler e reler Goethe e seu Fausto,
Dante, e sua Comédia, Pessoa, e seu rebanho tão bem guardado.
E ao ler um poema como este,
sem métrica, poética ou qualquer coisa assim,
Percebo que não sou melhor ou pior que ninguém,
Posto que o que eu escrevo, também sai de mim.
Tenho muitos quês…
Um quê de vil, um quê de Bom,
Um quê de são, um quê de não…
Um quê de Uno, um quê de Todo,
Um quê de escudo, um quê de espada
Um quê de tudo, um quê de nada.
Eu e meus quês, pela estrada a fora…
Um quê de vencedor, um quê de vencido,
mas nenhum de derrotado.
Eu e meus quês, e vou bem contente…
Mas com um estranho quê de descontente,
com meu maior quê sempre me atormentando:
QUÊ HISTÓRIA É ESSA DE QUE FELICIDADE SE COMPRA?
Do ponto em que o mundo se fez mundo
E deixou de ser idéia,
A inconstância reinou
Sobre o passado e o futuro
Mas o presente,
Permanece intocável
Ayahuasca, ouvi teu canto
A Liberdade, o teu encanto
Ayahuasca, tua pureza
Nos mostra o brilho da Natureza
Hei de amar o teu gosto amargo
Para viver o teu mundo amplo
E nesta escada, subir bem alto
Rumo ao próximo degrau
Ayahuasca, tua força fecunda
Faz nascer em mim
A luz do Cristo no peito
À luz do cardíaco aberto,
A voz de Jesus,
De lábios a ouvidos
Poesia não se mede em qualidade
em versos ou estrofes
Poesia não se mete em rótulos literários,
nem se julga digna de honorários
Poesia não se limita às limitações humanas,
pois é a transcendência delas
Poesia não se escafandra mais em estilos,
Pois se libertou e tornou-se digna do UniVerso
E n’Ele, se mescla uma À outra,
sem autor, sem estilo,
Somente Poesia.
E se amanhã um sábio
pensar em decifrar meus versos
que seja sábio o bastante
para sequer tentar