Dedicatória

Dedico este blog a todas as palavras a serem sentidas, a todos os sentidos a serem floridos, a todos os sorrisos e risos. Às pessoas prontas para sorrir e às maduras o suficiente pra chorar. Dedico a quem sabe amar e gargalhar... a quem pode se orgulhar! Dedico também à espontaneidade, que é mãe da boa poesia e da filosofia. e já que falamos da mãe, falemos também do pai, que é o sentimento que semeia a espontaneidade para gerar sublime deusa, poesia. Dedico à poesia, a poesia. Ao amor, mil utopias. Dedico este blog a quem me faz sofrer, já que o sofrimento é irmão do sentimento, que é pai da poesia. dedico também, e principalmente, aos amigos de verdade, àqueles que — nem eu nem eles — não têm falsidade.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Eterno Retorno

E quando Pessoa, o Fernando,
Descobriu que aqueles seus versos,
que sempre temeu quem leria,
haviam voltado às suas mãos,
uma lágrima, incerta se de alegria ou de pavor,
correu-lhe o rosto.

Solidão muda

Ah, a solidão silenciosa
inexorável ante as oportunidades da vida
Tão sós, os poetas mais sublimes,
que, com tantos sentimentos, se embriagam de silêncio.

As mais belas donzelas os olham sorridentes,
e mantém-se sós, quase que por escolha própria
a leveza e a firmeza de seus atos, tocam os mais puros corações
mas os seus próprios, se agitam descrédulos.

Para cada bela dama que lhes cruza o caminho,
um pensamento de derrota lhes ocupa a mente.
Mas quando será que o poeta descobrirá o segredo
de que a mente mente?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Remar

Rema rema, a favor da maré,
que Yemanjá vem te empurrar.
Pega a onda que vier, e se deixa levar
que Yemanjá te conduzirá.

Se preciso, levante a espada,
e Ogum te ajudará.
Peça ajuda a Iansã,
mas ciente que demanda
é coisa séria e não se brinca.

Rema, rema, a favor da maré,
e conduz teu barco pr'onde Yemanjá quer.
Pois o vento sabe a direção que sopra,
e te leva pra onde Deus quiser.

domingo, 25 de novembro de 2007

A Lua

Lua, Lua, Lua...
Quantas são as tuas fases?
Quanto duram teus minguantes?
Quantos beijos de amantes?

Lua, Lua, Lua...
Onde escondes teu São Jorge?
E teus segredos femininos, Lua,
onde guardas teus segredos?

Lua, Lua, Lua...
Tu és feita de que queijo?
Como brilhas no alentejo?
me responde, oh Lua!

Lua, Lua, Lua...
Quantas noites conversamos,
Sem que ambos nada dissessem?
e, oxalá, quantas noites 'inda conversaremos?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Se parti, foi por amor

Espero não ter partido seu coração
e se parti, foi por amor
Parti para longe, e perdido.

Me perdi quando parti
em mil pedaços de quebradiços.
E perdi o seu calor,
mas o que senti não foi só dor.

Me parti quando perdi
a certeza de te ter.
Mas ganhei um amor
que jamais irei perder.

Os tambores de Ogum,
de Oxum e de Iansã
rufam hoje a amanhã
plenos e altos em meu coração.

Me escondi numa caverna,
debaixo da terra, longe de tudo
e no ventre da Grande Mãe
chorei, conformei, recompûs.

Como fazem todos, cedo ou tarde,
Me recompûs, sorri e superei
e novamente caminhei.
Hoje saio novamente da caverna.

E já me aguardam as silhuetas conhecidas
de Platão e de seu instrutor.
Para me instruírem outra vez.
Sobre o Mundo das Idéias.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Tic... Tac...


Tic tac, tic tac, tic tac,
Foi-se o tempo do tempo,
e o tempo atual é o do momento,
presente, embrulhado em papel colorido.

Cor de tinta e tingido
roubado do tempo, o bandido
o presente que salva a mocinha,
a vida, eterna e todinha.

E quando desbota,
pela fricção dos ponteiros,
é que a vida ganha a cor,
ganha enfeites e sabor.

Então deixa de ser mímese
Passa a ser naturalmente real
Hora?
Não se pode fazer da vida uma síntese
Simples como instinto animal.

Pois só quando é extinto
o tempo e o animal
que a vida ganha forma
no sem-tempo universal.

No sentido inverso
Vivemos todos num só verso
Onde o mundo é cego e surdo
Aos lamentos do tempo mudo.

E o tempo — que não pára —
nos enrosca na Samsara
E em seus ponteiros a girar.
tic tac, tic tac, tic tac.

Mikha/Bá

domingo, 21 de outubro de 2007

Os minutos, as horas e os dias.

De antes em diante
rumo à Eternidade,
nossos destinos se cruzam
em um ponto qualquer do Jamais.

Algumas vezes para sempre,
outras nunca mais,
Nossos lábios se tocam,
em paralelos infinitos.

Se não hoje, quem sabe amanhã.
Ou depois, ou depois...
O que é o tempo afinal,
medida inválida e banal.

E se em nosso encontro marcado
no seu futuro, meu passado
por uma falha do destino
Eu não comparecer

Eu lhe peço, querida,
que me aguarde mais uma vida,
por entre espinhos e solidão
ou ao menos mais uma vez.

Me disseram certa vez
ser cedo demais,
Me disseram também
"A hora já passou"

Eu não acreditei, e ainda duvido
que nossa vida seja definida
por algo tão frágil como o vidro:
Os minutos, as horas e os dias.