Dedicatória
domingo, 13 de março de 2011
Amigo da Vida
***Dedicado a Lucas Avelar, por sua grande amizade com a Vida, que muito me tem ensinado***
Eu fiquei mesmo amigo da Vida, e ela não me desapontou. Como prometido, me colocou para ver seu espetáculo de camarote. E de cima, afastado, pude compreender melhor as nuances da peça.
Observando as nuances, enxerguei as falhas dos atores e, como bom ser humano, me ressenti por uma atuação imperfeita, que afetava diretamente o meu espetáculo, o enredo que eu escrevi. Entretanto sou um homem de sorte, sou amigo da Vida.
E quando a Vida nos reconhece como AMIGO MESMO, Ela dá conselhos a seu próprio respeito, como uma narrativa do show. Ao perceber meu sincero ressentimento, a Vida parou minha peça por um momento, exibindo então cenas de minha própria atuação, nos espetáculos em que fui coadjuvante.
Reconheci, então, minhas próprias falhas e improvisos no enredo de outros autores, e assim a Vida me ensinou uma grande lição sobre os erros dos outros: a ACEITAÇÃO. Mas tendo a Vida percebido que já havia aprendido bem a lição, ensinou-me ainda uma lição que está acima da aceitação: o PERDÃO. Ao PERDOAR, compreendi a divindade da falha.
Então tornei-me profundamente grto aos outros atores por sua atuação impecável e chorei, emocionado pela PERFEIÇÃO da VIDA. Agora, ainda mais atento ao espetáculo, busco tornar-me cada vez mais impassível aos erros e acertos de meus companheiros de palco – algo me diz que assim, o final poderá ser mais feliz. Enquanto o teatro não chega ao fim, no entanto, tenho a certeza de viver o momento atual com leveza... Feliz.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Folha em branco
Meu coração é uma folha em branco,
ao lado de um pincel nunca usado
que não quer se sujar.
Ora, e como não compreender o pincel?
Se sujar é algo trabalhoso, e por mais que se limpe,
o pincel nunca mais será como é hoje, novo.
Então ficam ali, o pincel e o papel a se fitar…
ambos limpos, intocados, como vieram ao mundo.
O pincel sabe que pode dar cor ao papel, e assim, satisfazê-lo.
Mas não o faz.
O papel a ponderar se um dia poderá cumprir sua missão,
receber a cor do pincel. E a se punir por desejar ser colorido,
Por desejar ver o pincel se lambuzar de tinta à óleo.
Se o pincel soubesse que seu trabalho representa a beleza do mundo,
Talvez visse, na sujeira de suas cerdas,
o que um trabalhador vê em suas mãos calejadas:
A Honra e a Felicidade de ter servido ao Propósito.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Não e não
Não…
Não, não e não, Você me diz.
Mas o que ouço, não é negação.
Ouço, enfim, seus nãos que viraram sim
E me coloco a considerar
O tempo necessário para mais esta negação
transformar-se em sublime aceitação.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Caminho do Meio
As quatro sonhadas respostas,
Mas ao chegar ao Oriente
Sem encontrar o que buscava,
Segui para o oriente de lá.
Parei, furioso, ao encontrar
Não uma resposta, mas o toco
Onde me sentava ao iniciar minha peregrinação
Sentei-me, para descansar,
Sobre o culpado do meu insucesso,
– o toco –
Ao esbravejar com ele sem obter resposta,
Calei-me,
E descobri que só ouviria respostas,
Calado.
Então, pude ser Eterno,
Sendo mortal.
Pude ser Divino,
Sendo carnal.
Pude unificar-me,
Sendo individual.
Pude ser o Todo,
Ao ser a parte que me cabe.
Pude ver o meio do caminho,
E voltar para o meu Oriente,
Seguindo o Caminho do Meio.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A Flecha
A flecha lançou-se do arco
e abriu o vento
como a um zíper universal.
Em sua fenda,
perdeu-se o tempo, perdeu-se o medo;
E um só ponto reinou soberano:
o centro do alvo, perfurado lentamente.
Objetivo concretizado.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Inveja poética
Quando em vez, ao ler os mestres da poesia,
sinto uma inveja poética, ou talvez uma admiração egoísta,
Não sei que nome dar, pois é como o amor,
Não se pode expressar…
É uma sensação de sentir tão fundo e forte
tudo que eu sinto que o poeta sentiu,
que é quase como se fosse ele sentindo em mim,
Ou eu sentindo nele, não posso expressar…
Talvez seja puro egoísmo, sim,
querer tudo que foi escrito para mim,
quando já devia sentir-me honrado
por poder ler e reler Goethe e seu Fausto,
Dante, e sua Comédia, Pessoa, e seu rebanho tão bem guardado.
E ao ler um poema como este,
sem métrica, poética ou qualquer coisa assim,
Percebo que não sou melhor ou pior que ninguém,
Posto que o que eu escrevo, também sai de mim.
sábado, 21 de agosto de 2010
Meus quês
Tenho muitos quês…
Um quê de vil, um quê de Bom,
Um quê de são, um quê de não…
Um quê de Uno, um quê de Todo,
Um quê de escudo, um quê de espada
Um quê de tudo, um quê de nada.
Eu e meus quês, pela estrada a fora…
Um quê de vencedor, um quê de vencido,
mas nenhum de derrotado.
Eu e meus quês, e vou bem contente…
Mas com um estranho quê de descontente,
com meu maior quê sempre me atormentando:
QUÊ HISTÓRIA É ESSA DE QUE FELICIDADE SE COMPRA?