Dedicatória
terça-feira, 31 de outubro de 2006
Senda do fio da navalha
da cúbica rocha.
Somos os conservadores
da eterna tocha
Na divina cruz,
sustenta-se nossa fé.
E é a trindade de luz,
o que nos mantém em pé
A força do Homem
e o amor da Mulher...
Eterna dualidade que,
resumida à unidade,
forma três.
Vinde e dê-me tua mão
Sigamos juntos,
Rumo à ascenção
Pois lá não se chega só
Façamo-nos pó!
E transmutemos
chumbo em ouro
Para ajudar todos os irmãos
A se livrarem do mau agouro
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Não te aguento mais!
Não mais suporto,
Teus sim e teus não,
Teu bom e teu ruim,
Teu "isso é assim!"
Cansei dos teus quero ou não quero
Desse teu (falso) esmero,
Do teu rosto torcido
do teu bolso falido
Me enojam,
Teus olhos, insãos,
Teus gritos, em vão
Teu beijo impuro
E todo teu orgulho
Me surpreende
Essa tua cara de louco!
Tudo isso, e mais um pouco
Por que não explodes?
MIKHAEL!
sábado, 28 de outubro de 2006
Se eu morrer amanhã...
Por favor, em meu enterro,
Não citem meus (raros) atos sãos.
Falem da minha loucura
Se eu morrer amanhã,
Os que detém meus segredos,
Por favor, revelem-nos
A todos que for relevante
Se eu morrer amanhã,
Não me pintem belo, alegre,
Cheio de futuro e visão
Pintem-me como sou.
Vil, triste e cego.
Se eu morrer amanhã,
De nada me fará diferença
Elogiarem ou criticarem,
Não quero ser um grande morto,
Quero ser morto, e só.
Assim, finalmente,
ao menos em morte,
serei aquilo que sempre,
em vida, almejei ser:
Aquilo que sou no momento...
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Da mais alta janela da minha casa
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Tu
Andei a pensar no que me dissestes, sobre não poderdes inspirar... e devo dizer que concordo! Não poderia mesmo, o melhor dos poetas, inspirar-se em ti, mulher.
Inspirar-se, em algo ou alguém, é usar disto para encontrar a inspiração. É como usar uma droga para encontrar prazer. um meio, e não um fim.
E justamente por isso, não poderiamos, eu nem ninguém, nos inspirar-mos em ti. Pois tu não és meio, senão fim.
És a inspiração propriamente dita, minha cara. É isso que as mulheres são, INSPIRAÇÂO. Todos os poetas, de todos os tempos, usaram da mulher, em todos os seus aspectos. Alguns usaram do sexo, e disso não passaram. Poesia banal, essa que fala do prazer sexual, mas inegavelmente fala da mulher. Outros usaram de teu corpo, de teus seios, e até, mais sublimemente, do teu olhar e teus perfumes. Poesia ainda meramente carnal, mas já me servi tanto destas que tenho que aceitar seu grande valor.
Porém, hoje, ao rabiscar estas palavras, bebo da fonte primeira da inspiração. Bebo diretamente da alma da mulher.
A alma da mulher é a alma do poeta, posto que é o mais próximo de Deus que o poeta poderia chegar neste mundo. A alma da mulher não transcende, feito a do homem, ela é a própria transcedência. É a nascente de todo rio, e a faísca de todo fogo. É a pedra-fundamental de toda obra, e é o ar, que permite ao obreiro construir.
Tu choras, por crer-se pouco, e isso só te faz mais do que já és. A única mulher em que poeta algum encontra inspiração, é aquela mulher amarga, de cara amarrada. Nelas, nem inspiração sexual existe, pois se afastaram delas mesmas, e por isso soam tão poéticas quanto a fedentina. Estas buscam ofuscar-se com brilhos e brilhantes.
Portanto, se não lhe deram o valor devido, mulher, não te creias desprovida do mesmo. Não te sustentes nos erros de outros para que erres também, perdoe-os, não sabem o que fazem!
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Sobre tristeza e felicidade
Acho que foi a união de tanto tempo em ritual juntos, ou quem sabe foi só o amor mesmo, mas aquele foi efetivamente o dia mais feliz da minha vida! ali eu balei e abracei aimgos de outras vidas, e agora, desta também, mas amigos de verdade, guerreiros de uma frente de batalha, que eu sei, estarão sempre a meu lado quando eu precisar de ajuda, quem tava lá sabe.
Quando eu cheguei em casa, evidentemente, corri escrever sobre aquele bailar, aquele flutuar entremeado de abraços, os mais gostosos que já dei. mas não consegui. as palavras não fluíam, e se fluíam, eram ralas, não preenchiam todo meu sentimento. terminei desistindo.
Mas aquilo me marcou, marcou profundamente. Não entendia o motivo de não conseguir escrever sobre aquilo quando na minha mente, no momento, eu só gritava: QUÃO POÉTICO TUDO ISSO! O tempo foi passando e como sempre, nos esquecemos das coisas... dos bons sentimentos do espírito, de wakan tanka, e vamos caindo no ego, e bate a tristeza de vez em quando... e nesses dias de tristeza eu escrevo super bem.
Ao notar isso, conversando com uma amiga hoje, ela me disse: "talvez a tristeza seja a beleza da vida". Me recusei a aceitar e respondi: "eu num concordo não... acho que a beleza da vida é um bom ritual xamãnico de bailado, é tão belo, mas tão belo, a felicidade que explode a cada abraço num amigo, que eu tentei por em palavras e nada saiu tão colorido quanto é de verdade."
Essa resposta me veio acompanhada de uma luz, que me explicou o motivo tão estranho de a tristeza ser mais dada a poesia que a felicidade.
É O COLORIDO!!!
Os momentos realmente felizes da vida, são tão coloridos, mas tão coloridos, que é impossível "Pintá-los em palavras".
dá pra pintar a paixão, dá pra pintar o desejo e pintar as lágrimas, mas por que é tudo carnal, meramente egóico. e palavras são superiores à carne, mas não ao espirito, acho que é por isso que felicidade não se poetisa. felicidade, plena e verdadeira, é só espiritual, só se sente, só sabe quem já teve. Poetas transcrevem sentimentos, felicidade não é sentimento, sentimento é mera liberação de toxinas no corpo físico. felicidade é em todos os corpos, e não pode ser descrita!
abraços e mais abraços,
Mikha dos Lakota!
terça-feira, 24 de outubro de 2006
Para minha Isis
Mas ao estudá-lo mais profundamente, ao adentrar tão belo bosque, e ir, aos poucos, nele se perdendo, a ele se entregando, bate desespero inigualável!
Primeiro é o solo, que, daquela terra úmida, gostosa, vai se esvaindo, virando terreno arenoso. Depois é a vez da vegetação, hora bela e cheirosa, que vai murchando, involuindo. Até que, por fim, o sol escaldante de um mórbido Saara toma conta, e nem o grito nem o vento se ouvem. Vazio.
Porém, já é tarde, já se ama tanto o bosque, que o deseto, que vem por consequência, também é amado.
E aos poucos tu entenderá, minha divina, que cabe a ti, e só a ti, regar, com teu carinho, meu deserto. Que está em suas mãos o poder para transmutá-lo floresta novamente, enchendo meus rios, avivando meu fogo.
Quando entenderdes, limparei, como outras vezes já limpei, toda erva daninha que em nosso bosque ousar nascer, até que estas, por desistência, retirem-se por completo. Aí então, e tão somente após tudo isso, estaremos livres para viver a vida, propriamente dita.